CHOCOLATE, UM ESTADO DE ESPÍRITO.

Por Filippo Berio
The emotions that you feel when you savour chocolate in any of its forms is not only a matter of tastebuds, but something more.

CHOCOLATE, UM ESTADO DE ESPÍRITO.


As emoções que você sente ao saborear um chocolate, em qualquer de suas formas, não se relacionam apenas às papilas gustativas, mas a algo mais profundo. Na verdade, no passado, o chocolate foi considerado uma substância mágica, até mesmo mística, dado seu efeito sobre o corpo e a mente. Não por coincidência o nome científico do chocolate é “Theobroma cacao”, que literalmente significa “bebida dos deuses”.
Hoje, os possíveis benefícios à saúde associados ao consumo do chocolate são amplamente conhecidos: o chocolate é rico em antioxidantes e ajuda a prevenir o declínio cognitivo, além de possuir propriedades antidepressivas e melhorar o humor, para citar apenas alguns. Por isso, não se sinta culpado na próxima vez em que comer um pedaço de chocolate!

UMA DOCE HISTÓRIA

Há evidências de que uma bebida de chocolate puro era utilizada em rituais e cerimônias de civilizações mesoamericanas, entre as quais se reservava o cacau aos guerreiros, sacerdotes, governantes e, obviamente, às famílias reais, como um símbolo de nobreza. Acredita-se que o rei asteca Montezuma costumava tomar uma bebida feita à base de cacau antes de se recolher a seu harém.
A primeira bebida à base de cacau foi preparada em 1900 A.C., chegando à Europa apenas no século XVI, graças a exploradores como Cristóvão Colombo, que trouxe nibs de cacau ao velho continente, e Hernando Cortés, que transportou algumas plantas de cacau à Espanha.
Inicialmente, as sementes de cacau eram consideradas apenas uma curiosidade do novo mundo, mas como no século XVII o açúcar tornou-se amplamente disponível a baixo preço, a receita da bebida à base de cacau mudou, tornando-se mais agradável ao paladar europeu, em comparação ao sabor amargo preferido pelos nativos mesoamericanos.
Partindo da Espanha, o chocolate tornou-se muito popular ao redor do mundo, e casas de chocolate espalharam-se pela Itália, França, Reino Unido, Flandres, Boêmia, Rússia e Estados Unidos. Nas casas de chocolate, a bebida era servida quente, com açúcar e canela. Apesar do alto preço pago pelo delicioso líquido, logo o consumo de chocolate deixou de se limitar apenas à elite.

O CHOCOLATE NA ITÁLIA

Como dito anteriormente, o chocolate chegou à Europa graças a um italiano. Não podemos evitar. Quando se trata de uma iguaria, nós italianos temos um instinto especial!
Durante seu domínio sobre a Sicília, os espanhóis trouxeram o tradicional processo mexicano de produzir barras de chocolate sólidas (as palavras Xocoàtl de Náuatle significavam “água amarga”). O processo consistia em triturar amêndoas de cacau e esmagá-las, transformando-as em uma pedra chamada Metate.
Hoje, na pitoresca cidade de Modica, ainda é possível provar esse típico chocolate amargo feito dessa antiga receita, modificada pela adição de açúcar. O chocolate feito em Modica, sem adição de gorduras vegetais, tem consistência granulada por causa do açúcar, que se mantém separado da pasta de cacau.
Florença, Veneza e Turim foram as primeiras cidades a começarem a produzir e exportar chocolate pela Europa, mas logo a paixão por produtos artesanais espalhou essa doce produção por quase todo o país. Isso fez com que a Itália se tornasse um dos produtores de chocolate mais famosos do mundo, o que perdura até os dias atuais.
Na metade do século XIX, a produção de chocolate na Itália passou por dificuldades causadas pela interrupção das importações da Inglaterra, sancionada por Napoleão. A criatividade italiana não demorou a encontrar uma solução: os produtores de chocolate piemonteses adicionaram à mistura tradicional do chocolate avelãs, um produto local barato e de fácil obtenção. Assim nasceu o Gianduia, com seu sabor delicado e sutil. O Giandujotto, feito com gianduia, é um chocolate famoso no mundo inteiro, em formato triangular, embalado em papel dourado.
Outra importante área italiana na produção de chocolate é Perúgia, conhecida por sua abordagem inovadora. Ainda hoje a região sedia o Eurochocolate, festival internacionalmente conhecido e dedicado à cultura do chocolate, um dos eventos relacionados a chocolate mais seguidos e amados, que transformou esta cidade na capital europeia do chocolate.
Ao leite, amargo, com avelã, gianduia… Quem quer um chocolate?

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